sábado, 14 de agosto de 2010

Paciência

Bom dia, boa noite, para quem quer que esteja lendo.

Eu hoje perdi a paciência.

Eu, exercendo a função que exerço em meu trabalho, não deveria perder a paciência nunca. Mas hoje é meu dia de folga e eu não preciso ter paciência... Hoje não.
Há quem perca a paciência por qualquer coisa. Conheço uma pessoa que perde a paciência quando você fala não para ela. Conheço outra, ainda, que perde a paciência quando cometem erros gramaticais (ela já perdeu a paciência comigo, fato). Mas eu, apesar de ser meio estressada naturalmente, eu perco a paciência com algumas poucas coisas.
Eu perco a paciência quando as pessoas me desrespeitam, perco a paciência quando me tratam como inferior e perco a paciência quando me subestimam.
Não que eu queira ser a "senhora dona da verdade", muito pelo contrário! O que realmente me deixa irritada é quando alguém subestima as minhas verdades, aquelas que são só minhas e que eu faço questão de mostrar, apesar de saber que não são as mesmas verdades que as suas ou as de qualquer outro. Eu respeito a divergência, mas não respeito o desdém.
Quando você fala para alguém que não gosta de alguma coisa e ainda assim ela insiste, quando você diz que algo te incomoda e continuam a fazer o mesmo. Para mim, é desrespeito. Para mim, é desprezar as minhas poucas, mas tão importantes verdades. E para mim, as minhas verdades e como alguém as trata é tudo.
Eu não gosto de me repetir, não gosto de avisar duas vezes e não tenho paciência para fazê-lo. Aliás, quando não gosto de quem faz isso, nem me dou o trabalho de terminar a conversa, simplesmente saio andando. Mas quando eu gosto de uma pessoa e ela faz isso, eu dou a segunda chance. É meio inflexível da minha parte ser assim, mas é a única coisa que eu tenho como real na minha vida e, até hoje, tem funcionado muito bem. Eu escolho as pessoas em minha vida a dedo, pois elas são minha folga, minhas férias, meu momento para relaxar. Eu não exerço paciência quando estou de folga, pois não preciso.
E aí aparece uma pessoa que você gosta, mas que joga suas verdades no lixo em um só dia. O que o álcool não faz com alguém, certo? Transforma tudo que você diz em piada e não entende quando você diz "Chega!". A paciência não quer, mas levanta exausta da cama e vem, de pantufas, trabalhar no dia de folga. Após horas de trabalho árduo ela vem cobrar, vem perguntar: "Por que aguentei isso por tanto tempo? Hoje eu não quero, hoje eu não devo." Mas hoje ela ganha hora extra, porque eu decidi que posso (talvez) ser um pouco mais flexível.

Será que vale a pena jogar minhas verdades no lixo a troco de algo que talvez não leve a nada? Será que vale a pena tirar a paciência da cama para trabalhar de vez em quando nos dias de folga?
A paciência diz que não, que não precisa de hora extra, que já trabalha demais. Eu penso que talvez as minhas verdades sejam muito rígidas e talvez um pouco inaceitáveis. Vou dormir. No dia seguinte, minhas verdades continuam as mesmas e a paciência volta a dormir e trabalhar em seu devido horário de expediente. Eu esqueço do embate do dia anterior, ela também.

E eu e a paciência voltamos a viver felizes... Até o dia em que ela entrar em greve.

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